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Brasil dará 15 milhões para a reconstrução do Haiti.

Vendo a notícia acima, reconheço que o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi: O Brasil tem 15 milhões para dar assim? De onde veio? Certamente dos nossos bolsos. Porque esse dinheiro não foi/é distribuído entre as familias brasileiras que perdem tudo a cada dia em enchentes e deslizamentos? Realmente dar algum trocado para ajudar a reconstruir a vida de quem perdeu tudo em eventos que muitas das vezes podiam ser evitados pelo próprio poder público.

Isto pode e deve ser pensado sim, o que não afasta em nenhum momento o sentimento humanitário pelos sobreviventes e pelos os que se foram. Foi uma trágédia de proporções comparáveis aos tsunamis da Ásia com incontáveis perdas humanas. Não se pode jamais dizer que o Haiti não faz jus a toda ajuda que se puder disponibilizar, e a toda nossa solidariedade humana.

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A ilha

Publicado: 12/08/2009 em Conto
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O que mais me incomoda nesta nova paragem é o ambiente sujo e empoeirado, com ruas mal cuidadas e fachadas que um dia talvez foram elegantes, mas hoje são somente paredes enegrecidas e descascadas pela ação do tempo e inanição dos interessados.

Em nada se parece com a grande ilha em que nasci, sim nasci em uma ilha, na verdade um importante entreposto comercial, com seu enorme porto que atrai gente de todo tipo e procedência, jovens marinheiros ávidos por conhecer o mundo e as mulheres fáceis que fazem a vida ao redor dos portos, homens absurdamente ricos cuidando de suas embarcações e cargas, belas mulheres ostentando vestidos e jóias de valor pra mim impensável.

Aquela ilha sim era de uma natureza agradável, o vento constante não permitia que o calor dos trópicos afligisse seus moradores, e não havia frio cortante mais que uns poucos dias no ano o que tornava pesados casacos apenas itens para exibição de uma moda inverno que na verdade não se fazia tão necessária.

O mar trazia tempestades, mas o vento também se encarregava de levá-las rapidamente, por não mais que três vezes na vida vi por lá caírem pedras de gelo do céu, fenômeno tão raro que merecia enorme destaque, fatos lembrados com detalhes pelos mais velhos, estes que já sem ter do que se ocupar se ocupam de manter vivas as histórias dos lugares e pessoas que conheceram.

Sim era uma grande cidade, mas para seus bons conhecedores ela guardava redutos da cordialidade facilmente encontrada em vilas menores. Eram vendas e bares onde no final do dia para a maioria e durante o dia inteiro para alguns existia o agradável relaxamento fornecido pela bebida e pelas conversas maliciosas que tais estabelecimentos nos permitem.