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A história do Mal desde a antiguidade, ótima animação. Apesar de ser visualmente explicativa, vala a pena aumentar o volume e gastar um pouco de seu inglês.

Quando o mal virou… Rock and Roll!!!

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Dia desses estava vendo um desenho animado qualquer, desses que eu via quando criança, e rindo uma risada gostosa, boba e sem sentido, daquelas que a gente dá quando se lembra de algo ou de um tempo muito bom.

Lembrei de meus antigos brinquedos, o cachorro xereta, o carrinho bate bumbo, aquele urso marrom sem nome, meus conjutos Lego, bonequinhos de heróis (quem chama de figuras de ação?), meus carros de controle remoto. A maioria se perdeu com tempo e o impulso infantil de destruir, mas ainda restam alguns em suas caixas, guardados, esperando que em um impulso eu os retire do alto do armário e lhes dê alguns minutos de vida.

Talvez aconteça, mas não acredito, a vida não permite tais retornos, somente os pensamentos podem fazer que aqueles bonequinhos lutem suas batalhas, os carrinhos corram velozes e a cidade de Lego tenha sua rotina inalterada dia após dia. Então eles continuam em dois lugares, em meus sonhos e pensamentos e naquelas caixas no alto do armário onde minhas mãos já não alcançam.

Difícil eleger uma música favorita do Skank, mas provavelmente seria essa.

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante…

Se relacionar com pessoas é algo complicado, se a pessoa em questão for um cliente então a complicação é elevada em N potências, quando existe um impasse entre o que podemos fazer e o que o cliente solicita então é confusão na certa.

Certo dia estava um colega atendendo uma pessoa claramente mal instruída por um desses advogados loucos por qualquer tipo de causa perdida, apesar de toda a sorte de explicações e demonstrações a figura sempre vinha com a mesma resposta:

– Isso não me satisfaz…

Resposta típica de pessoa que conversou 5 minutos com advogado mequetrefe doido para pegar mais uma causa caça-níquel, o fato é que uma hora acabam os argumentos e a paciência, nesta hora o que era um atendimento pode descambar para a discussão aí a instrução é terminar e deixar o cliente livre para agir de acordo com suas próprias idéias, só que sempre tem aquele que termina com a seguinte frase:

– Qual o seu nome?

Alerta ligado, na maioria dos casos quando se está embasado e certo do que se diz não é problema, mesmo assim fica aquela incômoda pulga atrás da orelha e tal é nesta hora que o Manoel, já de cabeça cheia sempre prefere ser chamado por José.

– Tenho o mesmo nome do pai de Jesus.

A resposta vem de bate pronto:

– Seu nome é Deus?

Imaginem quando o chefe receber o relatório dizendo que Deus maltratou um cliente…

Deus. Mas pode me chamar de Senhor.

O pier

Publicado: 30/12/2009 em Pensamento
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Era para mim um lugar mágico, o longo braço de pedras invadindo o mar em direção ao horizonte, como que enfrentando as ondas que batiam em suas irregulares paredes de pedra lar de pequenos crustáceos e plantas marinhas. O caminho central, pavimentado e plano adornado com luminárias coloniais, fazia uma leve curva para a esquerda pouco antes de chegar ao seu final onde esperava a estátua da Rainha do Mar, com seu vestido azul, seus longos cabelos negros coroados de flores.

Era um refúgio, um lugar onde poderia sempre me desligar de meu próprio mundo e ao mesmo tempo me ligar ao mundo, o mar acalmava, os pescadores sempre seriam uma opção de conversa desinteressada e nunca foram aborrecimento quando quisera somente sentar e observar o encontro do céu com as águas no horizonte.

Era um refúgio, um local onde sempre podia encontrar a calma nos dias mas turbulentos, onde a reflexão era favorecida e se o caminho não fosse possivel tornava mais fácil a assimilação. Não imagino quantas vezes visitei aquele pier, muitas com certeza, e em todas fiz muito bem, nunca foi em vão, a paz não traz a justiça mas é um alento para o coração dos justos.

Hoje tento conseguir o que aquele local me trazia somente com a lembrança no pensamento, é bem mais difícil e por vezes não funciona, mas a tentativa é valida, tudo vale a pena quando a alma não não é pequena.

A noiva

Publicado: 15/08/2009 em Conto
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Hoje penso como podia ser aquilo, quem foi o maluco que permitiu, mas o fato é que a escola dividia o muro com o principal cemitério público da cidade, não com um daqueles bonitos cemitérios particulares, com jazigos permanentes de mármore e imponentes mausoléus que os ricos constroem para demonstrar sua grandeza mesmo após baterem as botas.

Era um daqueles cemitérios construídos morro acima, com covas abertas diretamente na terra vermelha, cruzes de madeira identificando que havia ali alguém sepultado, árvores decadentes de longos galhos retorcidos, gavetas entreabertas que jurava eu poder ver com meus olhos de criança os restos de algum finado defunto.

Era um espaço que servia a dois objetivos claros, para os mais velhos era a rota de fuga para cabular aulas, que iria perseguir marmanjos cemitério adentro? Mas para os pequeninos era uma fonte inesgotável de histórias macabras que causavam calafrios a cada nova geração que naquele colégio adentrava.

A mais curiosa era da mulher de algodão, diziam os mais velhos, ano após ano, que a noiva, de pele branca como a neve fora ali enterrada em sono profundo mas ainda viva por um noivo não tão amoroso, ao cair da escura noite ela consegue se levantar de seu jazigo ainda com todos curativos de esparadrapo e algodão com que os mortos eram tratados e se dá conta do ocorrido, caindo em uma tristeza imensa.

Tamanha tristeza que a já a esta altura decadente e desfigurada noiva (ninguém jamais explicou o porquê do decadente e desfigurada), decidiu se retirar em sua vergonha para um dos banheiros da escola ao lado e desde então de vestido branco e muito algodão por todos os lados afasta quem ali se atreve a entrar.

Hoje sei que é uma história fajuta, cheia de buracos e inconsistências, mas em uma das peças que a mente prega reside um dos meus piores pesadelos, daqueles que teimam em se repetir vez por outra em noites mal dormidas, onde me vejo novamente naqueles corredores indo em direção ao nefasto banheiro, onde dizem estar até hoje a noiva amargurada… Credo.

O filósofo

Publicado: 12/08/2009 em Conto
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O pior de estar em um novo lugar é aquela sensação de ser um forasteiro no local onde sua vida está estacionada, você anda passa pelas ruas e sente como se soubessem que não é daquele local e isso parece trazer olhares desconfiados que só fazem aumentar a insegurança.

Este é um mal da vida moderna e dos locais onde a tal vida moderna está entranhada, mesmo em uma vila ainda provinciana como esta, onde não existe vida cultural a não ser pela ação de uns poucos obstinados, onde o comércio é um eco das mercadorias baratas que vem dos grandes centros e por aqui são vendidas a peso de ouro.

Em resumo sinto falta de fazer amizades simplesmente ao sentar em bar pra tomar uma cerveja, como daquela vez que em que conheci provavelmente o maior conhecedor da alma humana que já passou por esse mundo. A avenida estava cheia, os jovens ávidos por aventuras com o sexo oposto, alguns não procuravam o oposto, mas isso não vem ao caso, demonstravam posses e status como uma dança do acasalamento grupal.

Eu estava alheio a isso, na verdade olhava alguns rabos de saia, mas não seria naquela noite que me daria bem, não havia quem se encaixasse em meu perfil e nem estava disposto a gastar muito tempo de prosa fiada com as raparigas que por ali circulavam. Cheguei ao costumeiro balcão, o dono do bar já um amigo sabia exatamente meu pedido, após alguns cumprimentos sentei-me à uma mesa mais lateral para observar a noite e a agitação morna que ela trazia.

Quando ele perguntou se poderia sentar na cadeira vazia, trazia também sua própria cerveja. Naquele momento, naquele local nem cogitei qualquer maldade, coisa que fatalmente faria em qualquer outra localidade, mas não ali. O fato que ele discorria sobre temas desinteressantes e por vezes comentava sobre alguma formosa garota que passava, a barba não me permitia dizer sua idade, mas certamente se tratava de um quinquagenário.

As cervejas acabando, aquela conversa rasa sem fim, eu confesso que já me sentia incomodado com presença daquele senhor, quando ao se levantar ele disse a frase que passaria tempos em minha cabeça; disse ele:

“Nesta vida todos temos um jardim onde cultivamos nossas mais belas flores, por vezes plantas daninhas se sentirão no direito de invadir seu jardim matando suas flores, e por mais que doa tirar a vida dessas plantas é uma escolha necessária para resguardar a vida daquelas plantas que com tanto carinho você cultivou.”

Se levantou foi embora tropeçando, sem talvez se dar conta da grande verdade que acabava de me transmitir.

A ilha

Publicado: 12/08/2009 em Conto
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O que mais me incomoda nesta nova paragem é o ambiente sujo e empoeirado, com ruas mal cuidadas e fachadas que um dia talvez foram elegantes, mas hoje são somente paredes enegrecidas e descascadas pela ação do tempo e inanição dos interessados.

Em nada se parece com a grande ilha em que nasci, sim nasci em uma ilha, na verdade um importante entreposto comercial, com seu enorme porto que atrai gente de todo tipo e procedência, jovens marinheiros ávidos por conhecer o mundo e as mulheres fáceis que fazem a vida ao redor dos portos, homens absurdamente ricos cuidando de suas embarcações e cargas, belas mulheres ostentando vestidos e jóias de valor pra mim impensável.

Aquela ilha sim era de uma natureza agradável, o vento constante não permitia que o calor dos trópicos afligisse seus moradores, e não havia frio cortante mais que uns poucos dias no ano o que tornava pesados casacos apenas itens para exibição de uma moda inverno que na verdade não se fazia tão necessária.

O mar trazia tempestades, mas o vento também se encarregava de levá-las rapidamente, por não mais que três vezes na vida vi por lá caírem pedras de gelo do céu, fenômeno tão raro que merecia enorme destaque, fatos lembrados com detalhes pelos mais velhos, estes que já sem ter do que se ocupar se ocupam de manter vivas as histórias dos lugares e pessoas que conheceram.

Sim era uma grande cidade, mas para seus bons conhecedores ela guardava redutos da cordialidade facilmente encontrada em vilas menores. Eram vendas e bares onde no final do dia para a maioria e durante o dia inteiro para alguns existia o agradável relaxamento fornecido pela bebida e pelas conversas maliciosas que tais estabelecimentos nos permitem.