Um relato para entender a tragédia no Rio de Janeiro

Publicado: 17/01/2011 em Natureza, Pensamento, Vida real
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Não sou de fazer jabá, mesmo se ganhasse algo para fazer pensaria duas vezes, mas existem momentos na vida em que as convicções pessoais tem que ser deixadas de lado para que possamos resgatar aquele pouco de humanidade que a correria do dia a dia ainda nos permite ter.

Não nego a importância de discutir e cobrar a responsabilidade das autoridades na recente tragédia que se abateu sobre as cidades serranas do Estado do rio de Janeiro, mas é preciso olhar a dimensão do ocorrido e entender que grande parte das construções não estavam nas chamadas áreas de risco e que as pessoas simplesmente não tiveram chance diante da fúria da natureza.

Abaixo publico parte do relato de um pai de familia que debaixo dos escombros viu  sua mulher e filhos morrerem a sua volta pedindo ajuda, este trecho já dá uma dimensão do sofrimento humano na região atingida, mas se ainda assm for insuficiente, recomendo que leia a edição de hoje (17/01) do jornal Extra.

Primeiro, desabou a casa do aposentado Cláudio Pereira Coelho, de 40 anos, arrastada pelos deslizamentos da última quarta-feira. Nas oito horas seguintes, foi seu mundo que veio abaixo. Após todo o tempo em que ficou soterrado com os dois filhos adolescentes, a mulher, e uma sobrinha, só Cláudio sobreviveu. Mas, como tudo no drama de proporções grandiosas que afeta a Região Serrana do Rio — até a noite de ontem, eram 634 mortos —, o destino lhe tirou os familiares com uma dose brutal de crueldade. No dia a dia, o casal Cláudio e Adriana era acostumado a conversar com os filhos à mesa de jantar. Mas o diálogo mais forte dessa família, nascida em Nova Friburgo de um amor fulminante na infância, ocorreu sob os escombros e a lama. “Papai, não me deixa morrer; me salva”, dizia Aleff Cirino Coelho, de 14 anos, que deitou a cabeça sobre o braço esquerdo do pai. “Calma, filho, eu vou gritar socorro; eu vou pedir para tirar você primeiro e depois eu”, disse Cláudio ao filho… (continua)

Eu posso dizer que amanhã estarei de volta com a programação normal do blog e da vida, Cláudio e outros sobreviventes da tragédia infelizmente não.

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