Como se despedir de um grande amigo?

Publicado: 08/04/2010 em Pensamento, Vida real
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Desde sempre eu sabia como seria, sabia que iria me apegar, que seria uma grande história, e que o final seria doloroso, sabia e por isso resistia a idéia, não achava que valeria a pena viver algo somente para ver minhas lágrimas rolarem no final, acreditava que bastaria saber ou imaginar como seria e assim me pouparia, ou seja passaria pela vida sem esta cicatriz.

Foi o choro de minha irmã que mudou isso, lembro bem, um dia antes da fatídica final da Copa do mundo de 1998, a certeza da vitória era tanta que em seu primeiro batismo seu nome seria Dunga, felizmente nesse caso não foi lavrada certidão. Ele veio pequenino, o mais serelepe entre todos, atentado e muito vivo, nos escolheu, sim ele que escolheu e agradeço a cada minuto por isso. Veio em uma caixinha de sapatos, sua primeira cama e como passou a gostar de uma caixa, sempre arranjava um jeito de se enfiar em alguma.

Tentamos impor barreiras à sua presença, mas a área de serviço não era suficiente para o afeto, era necessário estar na sala, no sofá, na cozinha, na cama, no carro, era preciso estar presente, era preciso participar, receber seu afago, saber que dele era a atenção. E atenção involuntária, não era preciso força, aquele espaço no coração a esta altura já estava por ele ocupado.

Cada um a seu jeito, de sua maneira, mais físico, mais comunicativo, com mais alimentação, com muita preocupação; a única certeza era de que aquele não era um simples mascote, era sim um membro importante da família, o único membro com o qual era impossível ficar bravo, ralhar era normal, mas ainda mais normal era o afago logo após a bronca.

Tinha a capacidade de saber quando algo não estava bem, orelhas caídas, sempre tentando ficar por perto, como quem diz: Conte comigo. Se aconchegava em quem lhe desse chance, talvez para marcar sua presença, não seria capaz de entender que isto nunca foi necessário.

Sempre o primeiro a receber aquele que retornava para casa, lá estava em pé à porta requerendo o primeiro cumprimento, fazendo festa, pulando e abanando em felicidade capaz de contagiar o mais mal humorado dos seres, impossível resistir aquela alegria.

Vai ser difícil, chegar a porta e não te ver, sempre faltará algo, como um pedaço doce da vida que sempre voltará a minha memória a cada passagem que de você me fizer lembrar, toda a alegria e amor incompreenssível que um cachorrinho é capaz de fornecer. Hoje as lágrimas rolam, com força, mas sabe que agradeço cada momento, cada risada, cada corrida, cada lambida; agradeço por ter vivido, e por você tre proporcionado isso. Obrigado, Saddan, Meu Amigo.

O melhor de todos

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