Arquivo de março, 2010

semana começa com o país de olho não apenas no Big Brother, mas também com a atenção (inflamada pela mídia, sejamos sinceros) no julgamento por júri popular do casal Nardoni, acusados do assassinato da menina Isabela, filha de Alexandre Nardoni e enteada de Anna Carolina.

O julgamento marcado para começar hoje 22/03 (já atrasado por sinal) colocará defesa e promotoria frente à frente em um embate ideológico na tentativa de provar o que investigações, reconstituíções e perícias não conseguiram de forma absoluta, provar a culpa ou inocência do casal Nardoni.

E aí que reside o perigo, todo este tempo não foi suficiente para definir tecnicamente a culpa dos réus. Por exemplo, não foi possivel provar que o sangue no carro do casal pertencia a Isabela, mesmo com os recursos dos exames de DNA. A promotoria se baseia em fortes indícios de que Anna Carolina teria asfixiado a pequena e Alexandre atirado a própria filha pela janela, mas mesmo que sejam fortes e inegáveis para a grande maioria, são apenas indícios, não existem provas cabais que definitivamente comprovem a autoria do crime.

Essa incapacidade gera no direito um problema, torna a decisão subjetiva, mesmo que o senso comum tenha certeza da culpa, a máxima que diz que ninguém é culpado até que se prove o contrário, mesmo que na verdade não seja isso que diz a lei, tende a ser um argumento muito forte em face a falta de provas.

Não existe crime perfeito dizem a literatura e a experiência, em um prédio com cameras de segurança, um carro com rastreador, diversos exames e perícias técnicas, o crime perfeito seria algo ainda mais impossível de se ocorrer, mas diversos erros de condução do processo e provável incapacidade técnica deixam a decisão qualquer que seja eternamente cercado por uma aura de incerteza que ao meu ver deveria e poderia ser evitada ao menos nesse caso.

A resposabilidade de seguir o senso comum e dar rostos aos assassinos ou não condenar pessoas contra as quais o Estado e seus meios não conseguiram provar uma evidente culpa recái sobre os sete membros do júri, que estes sejam sábios, seguros e isentos em seu julgamento, porque dizer que a justiça é cega hoje é a única verdade que conhecemos no caso Nardoni.

Um dia, somente um dia, desnecessário pois todos os dias são delas, necessário pois todas merecem um dia especial, inapropriado porque faz com que a maioria somente se lembre uma vez ao ano, muito apropriado pois a se existe um ser capaz de reconhecer um mínimo gesto, este ser é a mulher.

Contradições ambulantes em um mundo cada vez mais frio e insensível, se adaptam mas nunca conseguem abandonar totalmente a ternura que as caracteriza. Endurecem com o labor e com as injustiças diárias, mas se mostram novamente as mais amáveis criaturas ao receber o menor dos afagos, menor para nós homens insensiveis e inacessíveis, pois para as sábias mulheres uma demosntração de real afeto nunca poderia ser chamada de “menor”.

Espaçosas, pois ocupam cada vez mais espaço, e capazes pois o ocupam com maestria, devem ter o poder de multiplicar as horas para conseguir estar no trabalho e no lar, galgam seu espaço sem o frenesi competitivo masculino, não gostam de subir sozinhas preferem estar (bem) acompanhadas, apesar de tudo o que aprenderam sobre este mundo individualista ainda sentem medo de ficarem sozinhas.

Aprenderam como tudo funciona e agora vão conseguir mudar para funcionar do jeito delas, pode demorar, será lenta a transformação, mas com certeza elas chegarão lá, como sempre de mansinho, nos seduzindo lenta e deliciosamente com suas ídeias, adequando tudo ao seu redor para melhor se conformar à sua propria ternura, moldando nosso trabalho e nossos lares à sua forma maternal de ver o mundo. Sim pode demorar, mas não duvide elas chegarão lá.

PS: Elis Regina nasceu no mesmo de Mape.